Erva daninha não se rega, arranca.

Estranhamente me pego jogando água em uma planta, na minha cabeça se a planta morre, eu morro. E eu tenho medo de tudo que desconheço, inclusive e principalmente a morte.


Então eu jogo água, só que eu preciso cuidar de outras coisas, então eu vou, mas volta e meia, na verdade nem meia volta, torno a pensar na planta, não a esqueço, mais um pouco de outras coisas, que claro, as vezes faço pela obrigação. Um bocado bem meia boca de outras coisas. Penso na planta. Outras coisas. Planta. Outras coisas. E volto.


As vezes as outras coisas são feitas sem inteireza, porque estou ocupada, pensando na planta, dependo disso (ninguém entende). Outras vezes as outras coisas são negligenciadas, ignoradas sempre que posso, o importante é cuidar da planta, ela precisa ser regada, acariciada, no mínimo lembrada, e as outras coisas precisam entender!


Então um belo dia eu acordo, de quem lembro? Da planta! Óbvio. E ao me deparar consigo reparar que a planta não passara de uma erva daninha, cujas folhas são as dores do passado, e logo atrás dela, há uma janela onde se passam outras coisas, uma infinidade de outras coisas, e percebo então o quanto de outras coisas que perdi, enquanto tinha a visão distorcida de tudo que importava era preservar a planta, e me ocupei tanto nessa tarefa, que sequer pude notar, que outras coisas me esperavam, logo ali.


Há outras coisas, e elas precisam pelo menos de uma coisa: a chance!

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Tênis cinza e verde ou rosa e branco?

Qual a cor do tênis?

Para uns o tênis é ‘cinza com verde’, para outros o tênis é ‘rosa com branco’.

Para alguns sempre ‘cinza com verde’, para outros as vezes ‘cinza com verde’ e inesperadamente ‘rosa com branco’.

O enigma da cor do tênis deu o que falar nas redes sociais e serve para prendermos a nossa atenção para além das cores e deixar a polêmica de escanteio.

Independente do objeto, agora um tênis, outro dia um vestido, sempre queremos defender a forma como vemos determinada coisa, o que é bom. E sempre queremos estar certos, afinal ninguém gosta de estar errado.

É aquela velha história do copo meio cheio e/ou copo meio vazio, não existe errado ou certo quando se trata de ponto de vista.

Existem pontos de vista. E ponto. E o fato de enxergarmos algo de uma dada maneira não força ninguém a fazê-lo da mesma forma, mesmo porque cada um enxerga à maneira que sua ótica lhe permite. É assim em termos abstratos, e permanece assim em termos concretos.

Quem sou eu para ditar a cor que o outro deve enxergar?

Quem sou eu para dizer que a minha cor é a certa?

Tem gente que vê a vida de tudo que é cor e tem gente que vê tudo cinza. Dizem “que a vida é da cor que a gente pinta”, pois então?

Não existem cores certas ou erradas, ninguém vê nada igual a todo mundo vê, claro que existem padrões, amor é vermelho, paz é branca, esperança é verde e por aí vai, mas ninguém precisa seguir, se não quiser.

O único padrão necessário e obrigatório é o do respeito, embora eu veja ‘cinza com verde’, aceito e respeito quem veja ‘rosa com branco’ e vice e versa. E viva a divergência de ótica. Afinal “gosto cada um tem o seu” e ponto de vista também!

Beijos!

Qual o destino da correria?

Lutando contra o tempo…

E quando menos se espera o relógio já ‘titaqueou’ mais que dá última vez que você parou para reparar.

As folhinhas do calendário voaram em uma velocidade além da permitida, e cá estamos nós, inscritos compulsoriamente na vida de gente grande, maratonista ativo de uma velha corrida desenfreada, cujo destino ninguém conhece, onde cruza a linha de chegada? Aliás, existe uma linha de chegada?

A ordem é correr, não podemos nos dar ao luxo de preocuparmos com os “atropelos”, não há tempo para isso – (Só)corre! Corre você, corre eu, corre o tempo, corremos todos e a vida (es)corre.

Como se tudo o que soubéssemos fazer, fosse correr. Como se nossa ocupação fosse as de um robô de um louco sistema, como se estivéssemos acorrentados nos ponteiros, fadados a correr para o lado oposto. Afinal de contas, para onde vai você?

Sobre recomeços

Será que a lagarta sabe que lindo recomeço lhe aguarda após o casulo? Penso que não. Acho que ela nem sabe que o casulo é casulo, para ela é o fim, pura e simplesmente.

De toda forma, aposto que ela não se martiriza por ter deixado de ser lagarta, não remói as deliciosas plantas que saboreou, os ensolarados dias que atravessou, ou a monotonia de quando havia chuva, ela só é, exclusivamente, se lagarta…lagarta e se casulo… casulo, sem mais.

O que quer dizer que nós humanos deveríamos nos espelhar e aprender a respeitar os nossos processos. Para que se prender e querer manter a mesma história para sempre? As vezes ela nem é bonita, e só confortável não é condição que convença o bastante, desculpa!

A expressão “Tudo muda” é categórica. E o que te faz achar que mudança é para pior? As vezes o pior que você tanto horroriza é apenas um processo onde está se tecendo um colorido recomeçar. Palavra bonita né? R-E-C-O-M-E-Ç-A-R, pois é, e ela é sequência da palavra MUDANÇA.

Respeite e aceite o casulo!

Já se sentiu perdido?

Sem Rumo

Tem dias que tudo parece fazer sentido, você consegue se sentir como uma peça de canto de um quebra-cabeça, as vezes até entende seu papel ali, e tem dias que a gente é como uma daquelas peças cuja única característica não a distingue das outras 897 de 1000, suponhamos que está sendo montado um enorme oceano, várias peças azuis, em um sutil degradê, você sabe que se encaixa ali, mas onde? E se você é a única peça azul de um outro quebra-cabeça e por um deslize foi parar na caixa errada? Quem sabe?

Assim é a vida, cheia de perguntas, com respostas, sem respostas, com ilustrações, sem ilustrações, as vezes algumas palavras saem falhadas, as vezes saem bem nítidas, é como aquela prova ferrada, sem consulta, daquele professor que todo mundo odeia, mas um dia vai agradecer no fim das contas. A gente só precisa seguir, sem certeza de nada, sem manual de instrução, numa incansável busca por si, por sentido, as vezes me pergunto se realmente faz sentido no ‘final’ para todo mundo.

Eu sinto vontade de fazer tantas coisas, entre elas mudar o mundo, sim! Eu sinto vontade de mudar o mundo, de vez em sempre, você não? A vez que me senti mais compreendida quanto a isso, foi em um curso quando ouvi um rapaz dizer que sente vontade de fazer algo grandioso, algo que impactasse positivamente as outras pessoas, me identifiquei com aquilo, está cheio de gente assim, e eu fico me perguntando se serei um dia uma dessas pessoas, ou se terei apenas uma existência comum, acho que ninguém quer ter uma existência comum, mas é isso que a maioria de nós somos – comum, apesar de saber que todos somos únicos.

Tenho uma colega que tem a vida toda planejada, data de casamento marcada, a idade que vai ter cada um dos filhos, o casamento inteiro planejado e olha que a data é para daqui cinco anos, eu a observo comentar toda empolgada e fico: What? Cara… eu não sei o que vou fazer semana que vem, não que eu deixe a vida me levar, eu também sou a rainha do planejamento, mas é que parece que eu sou uma cada semana, eu não consigo saber direito qual meu sonho, porque eu sou a inconstância personificada, quero o óbvio, o que todo mundo quer: Ser feliz!

E adicionado a isso, tem as muitas rasteiras que a vida já me deu em tudo que tive convicção, que planejei, ela é cheia das muitas possibilidades e nos surpreende sempre, ora para melhor, ora para pior, mas sempre trabalhando por nossa evolução, então eu pego a lição da vez, coloco debaixo do braço e sigo.

Mas me falta o “como?”, eu quero entender que parte do azul do oceano eu sou, eu busco por isso desde que me entendo por gente, e sinceramente não sei se estou longe ou perto, não sei nem se tenho procurado nos lugares adequados, mas eu sigo. Vou adiante, procurando por mim, e tentando mudar pelo menos o meu mundo!