TEXTOS

A carta que a morte nos escreveu…

A Carta que a morte nos escreveu

Oi! Pode ser que eu chegue e não dê tempo nem de te cumprimentar, outras vezes eu chegarei a passos lentos, te darei tempo de digerir a ideia, gostando ou não, de refletir, a chance de reparar o que julgar necessário. Quando eu chego de repente muitos se assustam, não entendo o porquê, se sou um fato.

Hoje mesmo eu encontrei com uma mamãe que estava indo para o horário de almoço, para ela era um horário de almoço qualquer, mas para mim não, era o meu encontro com ela.

Infelizmente eu não paro para escutar se ela tem um filho de 3 anos, se ela não jogou o lixo fora, se ela tinha que passar no cartório ou se o marido dela tinha uma endoscopia semana que vem, eu não entendo nada disso.

Só sei que quando me aproximo percebo os pensamentos mais aleatórios e insanos, mas muitos são comuns, alguns lembram do livro que restava apenas 15 páginas, do e-mail que não enviou, da comida para o cachorro que esqueceu de colocar ou de uma série de coisas inacabadas, que ou não serão concluídas, ou serão por uma outra pessoa. O que mais vejo nos olhos de quem encontro é a ficha caindo sobre o amor que deu ou não, do bem que fez ou deixou de fazer. E a compreensão de que todo orgulho, medo, mágoa, ressentimento acumulados, no momento que dão de cara comigo, não passam de inúteis.

Talvez eu chegue na véspera da concretização de um grande sonho, ou no início dele, e muitos irão dizer “quantos sonhos interrompidos” ,”uma vida inteira pela frente”, embora vocês nem saibam o quanto de vida inteira foi creditado para cada um. Desculpe, mas não estou interessada se é uma quinta de natal, se seu irmão casa semana que vem, se você não fez as pazes com seu namorado ou com a sua mãe, se você não fala com a sua tia há mais de dois anos. Nada disso me importa!

Não vou pedir seus documentos, muito menos currículo, não me interessa quem você foi, sua cor, religião, caráter, eu encontrarei a todos, alguns “muito cedo”, outros “na hora”, talvez sim , talvez não, eu sou uma sequência de talvez, de suposições, especulações. De mim, pouco se sabe, dentre elas – é que eu virei e a outra é que é sem aviso prévio. Para todo lado escancaram a frase: “A vida é um sopro”, muito embora muitos não lhe deem crédito, mas eu faço questão de repetir: “A vida é um sopro” e eu sou derradeiro suspiro.

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