TEXTOS

Erva daninha não se rega, arranca.

Estranhamente me pego jogando água em uma planta, na minha cabeça se a planta morre, eu morro. E eu tenho medo de tudo que desconheço, inclusive e principalmente a morte.


Então eu jogo água, só que eu preciso cuidar de outras coisas, então eu vou, mas volta e meia, na verdade nem meia volta, torno a pensar na planta, não a esqueço, mais um pouco de outras coisas, que claro, as vezes faço pela obrigação. Um bocado bem meia boca de outras coisas. Penso na planta. Outras coisas. Planta. Outras coisas. E volto.


As vezes as outras coisas são feitas sem inteireza, porque estou ocupada, pensando na planta, dependo disso (ninguém entende). Outras vezes as outras coisas são negligenciadas, ignoradas sempre que posso, o importante é cuidar da planta, ela precisa ser regada, acariciada, no mínimo lembrada, e as outras coisas precisam entender!


Então um belo dia eu acordo, de quem lembro? Da planta! Óbvio. E ao me deparar consigo reparar que a planta não passara de uma erva daninha, cujas folhas são as dores do passado, e logo atrás dela, há uma janela onde se passam outras coisas, uma infinidade de outras coisas, e percebo então o quanto de outras coisas que perdi, enquanto tinha a visão distorcida de tudo que importava era preservar a planta, e me ocupei tanto nessa tarefa, que sequer pude notar, que outras coisas me esperavam, logo ali.


Há outras coisas, e elas precisam pelo menos de uma coisa: a chance!

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